domingo, 4 de dezembro de 2011

Crítica
Sem Tempo


     O título, em português dita bem o significado deste filme, imagine-se num mundo paralelo em que em vez de dinheiro, tudo funciona através de tempo, minutos, horas, e até meses ou anos. Bom, cada ser humano, neste mundo, tem direito a 25 anos normais, apesar de já nascerem com um contador no braço que só é activado no preciso momento do seu vigésimo quinto aniversário, a partir daí, resta-lhes apenas um ano de vida, ao qual poderão receber mais a partir de trabalho, tal como se de um ordenado se tratasse, ou através de trocas com outras pessoas, ou até mesmo, como na realidade, tendo a sorte de nascer num "berço de ouro".


     Tudo funciona a tempo, mas o mundo parece um caos desta forma, existem pessoas com séculos de existência, pois assim que chegam aos 25 anos não mais envelhecem tanto fisicamente, como psicologicamente, só os seus contadores biológicos presentes no braço ditam a sua existência. Refeições por 10 minutos, portagens com custos de 1 mês - fosse isto real, em Portugal, estaria já tudo morto - e até existem bancos de tempo, e empresas de empréstimos. O único problema, é que se uma pessoa fica sem dinheiro ainda tem a chance de recuperar, neste mundo de Andrew Nicol, já habituado nestas andanças de ficção-científica, assim que o relógio chega a zero, o coração pára imediatamente.


     Will Salas (Justin Timberlake), é a personagem principal, que após ver a própria mãe morrer mesmo à sua frente sem poder fazer nada, por falta de tempo, e ter ajudado alguém com mais de um século de tempo, recebe deste todo o seu tempo, pelo motivo de estar farto de viver após tanto tempo. Uns com tanto e fartos, e outros necessitados e com tão pouco. Espelha tal e qual a realidade moderna. Salas, começa assim uma jornada em busca de vingança, tentando virar este sistema contra si mesmo, onde os ricos ficam cada vez mais ricos, numa sistema viciado, em que os pobres não podem escapar do seu injusto destino, mesmo que ganhem mais tempo, os preços sobem, e não existe outra alternativa senão gastar, e trabalhar para ganhar nem que seja mais um dia de vida.


     Tem uma premissa interessante, numa ideia bem original, mas que não tem um desfecho propriamente digno do desenrolar do filme, todo o filme é passado numa correria frenética que mostra bem o desespero de continuar a viver, numa corrida contra o próprio tempo, engraçado ver que todos têm a mesma aparência jovem, tanto avó, como mãe, como filho, famílias da mesma idade, um bocado macabro, e até chega a fazer uma certa confusão em certas cenas, mas que não deixa de ser ao mesmo tempo engraçado, afinal, trata-se de um mundo paralelo. Ainda assim, gostei de ver algo diferente num mercado atolado de falta de ideias, um pouco mais de desenvolvimento e desfecho daria a este filme uma satisfação melhor tanto para quem o elaborou como que o viu.

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