Longe vão os tempos das antigas salas de cinema independentes, falo por mim, mas adorava ir à antiga Academia Almadense, em Almada, uma sala por si só enorme, e com uma qualidade de imagem estrondosa, para a altura. A evolução tem destas coisas, chegaram os grandes centros, com os seus próprios cinemas afundando ainda mais os independentes. A luta, ainda foi dura, mas 2007 viu o fim da, na altura, considera a maior sala de cinema do país, com 838 lugares, que maravilha era estar sentado na fila L com casa cheia! Outros tempos.
Cada cópia de um filme, tem de ser pago, cerca de 250 euros diários, muito para salas que chegam a ter três, quatro pessoas por sessão! O fecho destes independentes é quase que um destino certo, embora ainda existam, e com preço de bilhete até razoavelmente baixo, comparando com o que actualmente se paga, maior parte das vezes para uma experiência frustrante, principalmente em termos de qualidade. Senão vejamos, na Castello Lopes, o preço de um bilhete normal, é de 7 euros! Na ZON Lusomundo, 6,60 euros. Isto, graças ao aumento do IVA em espectáculos. As salas actualmente, já custam a encher, com estes novos preços, vai vai, ainda levam o mesmo curso dos independentes, mas não creio.
Segundo esta notícia, datada de 2008, a Academia, seria usada para outros meios, até contemplavam a ideia de projectar algum filme uma ou duas vezes por semana, muito pouco se fez, ou nada. É uma realidade cruel, para um cinema com mais de 100 anos de história, impossível de gerar receita à sombra dos grandes comerciais, os que resistem, esforçam-se para tal, mas, seguindo o curso natural, o fim será o mesmo. Diz-se, que muitos, ainda sobrevivem, devido às pipocas e outros produtos, também é verdade, mas não é também igualmente verdade, que o fornecimento destes têm um custo por si só intolerável? Quer me crer a mim, que a despesa é ainda maior que a receita.
Então e esses grandes, não têm mais despesa com tantas salas que têm? O negócio é simples, incorporados em grandes centros, possibilitam que as famílias comprem o bilhete, e se dispersem até à hora do filme, com restauração e um grande número de lojas, faz tudo parte de uma estratégia, e, pelo menos da parte da ZON, o custo do aluguer não deve ser tanto, visto que são estes que trazem 90% dos filmes para o nosso país, se algum outro cinema os quiser, terá de pagar o custo do aluguer à ZON Lusomundo, fazendo as contas, mesmo que não encham as salas, provavelmente o que entra é bem maior que o que sai. Senão vejamos, segundo as últimas notícias "A Zon Lusomundo voltou a ser a distribuidora líder de mercado, com 51,7% da quota total. Dos 281 filmes estreados comercialmente, a Zon Lusomundo exibiu 127 em 2011." Ainda, é preciso dizer mais? É, as salas de cinema portuguesas, perderam cerca de 866 mil espectadores, segundo o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), agora a ver vamos, se futuramente, com as salas cada vez mais vazias, ser a distribuidora líder serve de muito.
Estas contas, não afectam só o cinema, todos os espectáculos, com esta subida do IVA, se irão ressentir. Depois, como se pode falar em pirataria, desta maneira, até os próprios DVD's, para não falar nos preços absurdos dos BLU-RAY, estão longe de serem acessíveis, mas isso fica para outra altura. Ainda assim, descontos de estudante, cartão de cliente (Cartão ZON, dá um bilhete na compra de outro), e outros, apesar de mais baratos, continuam a pesar, mas sem dúvida que no final de vários filmes assistidos, a diferença é muita na carteira, e, confesso que nos cinemas ZON, sozinho não vou (embora goste muito), prefiro ir com outra pessoa, e pagar metade de um bilhete, do que o pagar na sua totalidade.
Resta-me, sempre que passar pela Academia Almadense, relembrar as inúmeras visitas, quase sempre com casa cheia, memórias que ficam não serão substituídas, mas, não havendo alternativa, tenho de ir bater à porta dos ricos que me enganam com as suas "maravilhosas" salas, parvo sou eu que me deixo roubar.








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